Por que Ninho da Águia?

Nos idos de 1979/1980, o proprietário teve a oportunidade de entrar em contato e conhecer a concentração esportiva do Cruzeiro de Belo Horizonte, denominada Toca da Raposa”, localizada no bairro da Pampulha. À época, Pampulha era um bairro afastado de Belo Horizonte, longe do centro, e guardava um aspecto de zona rural. Notava que o perfil do clube campestre do Cruzeiro revestia-se de um ambiente bucólico, traduzido pela simplicidade da vida do campo, embora as construções desse um tom de sofisticação e modernidade, a ponto da Toca da Raposa ser considerada a melhor concentração esportiva do mundo. O nome Toca da Raposa era sugestivo. Servia de modelo. Por que não Buraco do Urubu ou Morada do Gavião.

Mas no aspecto visual tudo respirava a tranqüilidade e simplicidade. Era um modelo a ser seguido, guardada as devidas proporções.

A idéia fermentava minha aspiração: procurar um terreno em zona rural que possibilitasse a construção de um clube, o mais natural possível, e com um mínimo de infra-estrutura que pudesse ser explorado comercialmente e, ao mesmo tempo, pudesse servir de moradia e sustento a minha família e onde eu pudesse receber meus amigos, aliado a uma possibilidade de garantia do futuro. Seria uma maneira de resguardar o futuro dos meus filhos e acalentar uma vivência saudável e ativa. Os passos da velhice caminhavam para um futuro assegurado.

A semente estava brotada nos meus pensamentos, faltava o solo onde ela se desenvolveria, fincasse as raízes e germinasse o fruto.

À época, eu possuía cinco escolas de datilografia, 3 em Itajubá, 1 em Varginha e outra em Brasópolis. Mas já se falava em computador... seria o fim das máquinas mecânicas. O mundo respirava modernidade, globalização, internet, era tecnológica. Para enfrentar o stresse, o nervosismo ambulante, o mundo precisaria de lazer, sossego e descanso.

Em fins de 1985 um corretor de imóveis, de apelido Paulo Pinta, sabendo de minha intenção, me ofereceu um terreno rural. De antemão me advertiu que talvez não me interessasse por ser um terreno muito acidentado, de solo pobre e vitima de sucessivas erosões, por se encontrar às margens de uma rodovia recém-construída e de aterro recente, que empobrecia o solo e era convidativo a erosões. Mesmo assim fui conhecer o terreno e soube que o proprietário, Eurico Vaz, dono de açougue no mercado municipal de Itajubá, estava desanimado em conseguir comprador, após sucessivas tentativas de venda do imóvel e desinteresse dos pretendentes quando viam o terreno oferecido.

Quando, do alto de um barranco, por não ser possível o acesso, mesmo a pé, vislumbrei aos fundos do terreno uma cachoeira borbulhante, despencando por cascatas dentro de uma ilha dividida em vários riachos, uma mata virgem exuberante tomando conta das ilhas, um visual de impacto que refletia um “pedaço do paraíso”, não tive dúvida: era aquilo que eu queria. Para ser sincero, era mais do que eu pretendia.

Mas eu não tinha dinheiro suficiente para comprar aqueles dois alqueires e meio. Iniciei a negociação num vai-e-vem de quem quer-e-não quer, pechinchando preço, botando defeito, sugerindo desistência, na esperança de juntar pelo menos um pouco de dinheiro para concretizar o negócio. Foram meses regateando o preço, propondo troca. Nesse ínterim, uma amigo meu, professor Sebastião Moacir de Morais, de convivência quase diária, me ofereceu empréstimo a juros para a compra do terreno.

Em 16 de julho de 1986, nascia o Clube de Campo Cachoeira Ninho da Águia, no cartório de Delfim Moreira, com escritura de hipoteca.

Mas quem não tinha dinheiro para comprar o terreno e recorreu a empréstimo, pagando juros, uma despesa a mais, não reunia a menor condição de iniciar uma construção. Contratei um trabalhador rural para abrir uma trilha que possibilitasse acesso à cachoeira. À medida que a trilha avançava, curiosos trilhavam o caminho para ver a cachoeira de perto.

Com o auxílio de roldanas e uma manivela de madeira amarradas em uma árvore, à beira da rodovia, e cabos de aço lisos, conseguimos descer um caixote de madeira, que transportava material como brita e areia. A declividade do terreno era de 60 metros de altura em linha reta, medida da beira da rodovia, em cima, ao piso do rio, lá embaixo.

A firma Minas Engenharia – Sondagem e Estaqueamento – me cedeu um caminhão de pedaços de cabo de aço, usados e rebentados em serviços de estaqueamento de construções. Eu tinha ali o substituto para a ferragem para a construção da primeira piscina com água natural. A firma Serraria da Alegria de Delfim Moreira, através do Sr. Vavá me cedia costanheiras, que serviriam de tábuas para as caixas de concretagem. A firma Pedreira São Pedro, através do Sr. Balbino, me cedeu caminhões de brita, em troca de meus serviços prestados na área de construção civil. Dez anos trabalhei para a Pedreira São Pedro, em troca do material cedido.

Mas faltava o dinheiro para o cimento, a mão-de-obra, pregos e arame, ferragem de estribo, etc. Meus recursos eram escassos.

Foi então que o Prof. Paulo César Guimarães, meu compadre, na época deputado estadual, me deu o apoio e incentivo necessários: - Vá em frente, compadre. Foram criados títulos de sócios usuários e o profº Paulo César Guimarães comprou o primeiro. Consegui vender 69 títulos.

O nome era sugestivo, merecia servir de modelo. Por que, então, um clube de campo não poderia se chamar Buraco do Urubu? Ou morada do Gavião? Ou ainda Pouso da Pomba? Toca não era o local onde a raposa se abriga no chão? Havia raposa no Brasil? A configuração de uma cachoeira não lembra um penhasco? Por que não lembrar de águia, de vôos altos nos picos. Onde ela repousa para criar os filhotes? Num ninho. Ninho da Águia. O nome estava composto.

... Terreno que será destinado à construção de um Clube de Campo que será denominado Clube de Campo Cachoeira Ninho da Águia, era registrado em cartório de Delfim Moreira em 16/07/1986... BENEDICTO SILVÉRIO - Sócio-proprietário do CCCNA -

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